sábado, 14 de agosto de 2010

Benedito Giovane

O homem fuma seu cigarro.
O suor e a lágrima discutem sua obra.
Sua bota, sempre a mesma bota.
Presa de cobiças cansadas.
Meu pai.
Meu medo de mim.
Correnteza que me enxerga e não me lava.
O homem encadeirado em sua varanda.
Cabisbaixo em seu chão de prélios ocultados.
O homem bebida, garanhão da lua.
Barulho que adormece meu primeiro passado.
Não que criou outras ruas.
Em meu pequeno subúrbio de imagem.
Verdade branca.
Casco de muitos braços, nome de muitos lábios.
Meu pai.
Soltando suas folhas,
buscando um regaço na idade do seu horizonte.
Ouço palavras, mas não ouço sua voz.
Refém. Do que me tornei refém?
Meu pai.
A morte lacônica come nossos lados.
Mas vi as roupas no varal.
Vi a pressa vazia de olhos que não se colhem.
Na casa onde tudo é mortal, menos a saudade.

4 comentários:

  1. Olá poeta, uma abraço, sigo vc

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  2. Obrigado pela sua visita.

    Hoje seu blog é um dos indicados por mim lá no meu espaço.

    beijooo.

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  3. Estou tentando deixar o meu"passei por aqui",mas tá difícil..................adorei todos os poemas lidos.Até o próximo deleite!Tereza R.Pontes

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  4. Nossa!!!

    Onde você está agora?!!!

    Beijo!

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